sábado, 20 de junho de 2009

COLUNA

Trinta e cinco anos, cozinheiro, do tipo que, para os amigos, "não fazia mal a ninguém!"
Manhã de domingo acordou. Talvez diante do espelho tenha se visto no dia há tanto prometido: alegre, dançante, celebrando entre muitos a alegria de ser o que ousavam ser.
Ainda no espelho deve ter pensado em outros Marcelos e Lucas, Pedros, Rodrigos e Andrés, Martas, Mônicas, Marias e Joanas, na rua, caminhando, dançando e cantando_ sem parada. Quis estar com eles! Entre um sorriso e um "carão" , refletido e "aprovado!" saiu sem mais demoras.
Tinha trinta e cinco anos.
Fantasias reais e imaginárias desfilavam pela tarde paulistana. Encontros, reencontros, flertes, reconciliações, "affairs" e "love stories" em meio ao prazer que o desejo causava.
Era cozinheiro.
Sabores sentiu na tarde, que não acabava, em mil paladares: o perfume agridoce da possível candidata a Miss Gay, a acidez do abraço cansado (água para despertar!), o amargo do beijo, o salgado do beijo, picantes carícias, prazer de desejo para excitar.
Marcelo... tanto... e tão diferente você quis... que na tarde alegre de domingo foi pego_ por alguém que, como você, não quis.

A Marcelo Campos_ espancado e morto
na última edição da Parada do Orgulho Gay.
_São Paulo, 14 de junho de 2009.