O que faço agora com o meu diploma de jornalista? Parabéns ao Brasil. Mais uma batalha contra o seu desenvolvimento teve um capítulo: a não obrigatoriedade do curso superior de jornalismo para o exercício da profissão. Em um país de grande maioria inculta, mais uma contribuição para a permanência de milhões na ignorância. Parabéns ao povo brasileiro. Saiu de uma ditadura militar para a democracia. Da liberdade de expressão para a baderna da informação. Concordo que, para ser jornalista, é preciso ter dom, assim como para ser médico e advogado. Mas, para o exercício da profissão – ainda mais quando se trata de matéria tão delicada quanto a comunicação – é necessário, sim, senhores ministros do STF, o mínimo de conhecimento acadêmico. Assim como para ser médico e advogado. Lidar com a notícia, ao contrário do que muitos pensam, é algo muito sério para ser feito por quem não tem o curso superior de jornalismo. E não foi somente o diploma universitário que foi despejado: com ele, o direito dos brasileiros a uma informação de qualidade, com regras mínimas para um bom texto escrito ou falado. A revolta é muito grande. Diria mais. É um retrocesso. Com a decisão do STF na semana passada, a democracia brasileira perde um dos seus maiores aliados. Um dos ministros, ao argumentar contra o diploma, disse que o jornalismo é um tipo de “arte, literatura”. É natural que muitos jornalistas se tornem escritores: afinal, conhecimentos para tal não lhes faltam. Não sei cozinhar e muito menos fazer artesanato. Mas sei escrever e prezo por um trabalho de qualidade como jornalista. E faço apenas uma pergunta aos senhores ministros do STF: o que faço agora com o meu diploma?
Eliana Sonja Rotundaro
JornalistaVarginha - MG