quinta-feira, 4 de março de 2010

EDITORIAL DO ESTADO DE MINAS EM DEFESA DE AÉCIO REPERCUTE ENTRE POLÍTICOS

O editorial “Minas a reboque, não!”, publicado na primeira página do Estado de Minas de nessa quarta-feira, foi elogiado por políticos de vários partidos. Em pronunciamento da tribuna da Assembleia Legislativa, o deputado estadual Agostinho Patrus Filho (PV) parabenizou o jornal pela forma “corajosa de abordar um tema suprapartidário e que envolve o sentimento dos mineiros”.

Para ele, é inaceitável a pressão que os tucanos paulistas estão fazendo sobre o governador Aécio Neves (PSDB) para que aceite ser candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo governador José Serra (PSDB). “Se Serra caiu na pesquisa, não podemos ser responsabilizados agora por uma indecisão que não é nossa”, afirmou.

Em aparte, o deputado estadual Gustavo Corrêa (DEM) enfatizou a indignação apontada pelo jornal com que os mineiros repelem a pressão, feita até pelo próprio partido dele, para que Aécio aceite compor uma chapa puro-sangue. O parlamentar está preocupado com as consequências da má condução do processo político para a oposição, já que o estado é o segundo colégio eleitoral.

“O sentimento dos mineiros é de frustração. Não sei como será a resposta nas urnas se permanecer a ideia de que Serra tenha tirado de Aécio a possibilidade de ser o candidato a presidente. Minas, que sempre trabalhou em silêncio, pode dar uma demonstração diferente. É preciso que o PSDB reavalie a sua posição”, defendeu.

Depois de citar ex-presidentes da República mineiros, como Afonso Penna, Wenceslau Braz, Juscelino Kubistchek e Tancredo Neves, avô de Aécio, Patrus Filho argumentou que Minas precisa manter o papel protagonista que sempre representou na política.

“Minas é uma escola. Quem governa o nosso estado aprende a conviver com as diferenças entre as regiões mais pobres, como os vales do Jequitinhonha e Mucuri, e as mais desenvolvidas como o Triângulo e o Sul. O estado é uma escola de bons políticos e de gestores e não pode ficar a reboque da indecisão paulista”, afirmou.

O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) rechaçou qualquer tipo de pressão que esteja sendo feita sobre o governador mineiro. “Minas tem uma tradição política de conciliação, tem hoje o vice-presidente da República, José Alencar, e tem em Aécio um grande candidato a presidente que, se não for candidato agora, será mais à frente”, analisou. Para ele, o editorial serviu para colocar os pingos nos is. “O partido e os nossos aliados não devem fazer pressão sobre Aécio, que já demonstrou que sabe tomar as suas decisões no momento correto”, defendeu.

Alternativa

Já o senador Eliseu Resende (DEM-MG) acredita que Aécio só pode ser alternativa do PSDB para a candidatura ao Planalto, não para vice. “O governador foi categórico ao dizer que não aceita ser vice-presidente, correspondendo ao pensamento dos mineiros. Ou é candidato a presidente ou ao Senado. Como Serra não se definiu, e os dois conversam todos os dias, temos de esperar com tranquilidade a evolução do quadro”, disse.

O presidente do diretório mineiro do PSDB, deputado federal Nárcio Rodrigues, enfatizou que Minas não pode ficar em segundo plano. “Temos uma herança política muito forte e um presente maiúsculo, com o governo de Aécio Neves. O editorial foi de fundamental importância por vocalizar o sentimento mineiro de que o estado não pode entrar como coadjuvante no processo político do nosso partido”, afirmou.

Para o deputado federal Paulo Bornhausen (DEM-SC), que esteve com Aécio na terça-feira, o editorial é importante por mostrar que, se há hesitação no PSDB, ela não se encontra em Minas. “Qualquer decisão sobre o destino político do governador só cabe a ele. Como grande líder que é, qualquer decisão que tome será boa para Minas e para o Brasil”, avalia.

Fonte: UAI