terça-feira, 28 de setembro de 2010

COLUNA


VIAJANTES ILUSTRES NO SUL DAS MINAS GERAIS


Padre Antonil (1710)

João Antonio Andreoni nasceu em Lucca, Itália, em 8 de fevereiro de 1649, formando-se em Direito pela Universidade de Perúgia e, com 18 anos, ingressou na Companhia de Jesus. Veio para o Brasil em 1681, instalando-se na cidade de Salvador. Suas pesquisas na região das minas, objeto do livro Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas, foram mantidas em sigilo pela Coroa portuguesa durante muitos anos, considerando-se que fizera descrições apuradas sobre o que se desenvolvia nas minas de ouro e de diamantes, sendo republicadas no Rio de Janeiro somente em 1837.

Pelas terras de Minas Gerais, segundo informações de Diogo de Vasconcelos, deve ter andado entre os anos de 1704 e 1710.

O insigne jesuíta informa-nos em sua obra o caminho utilizado pelos bandeirantes em direção à região das minas dos “cataguás”, despendendo tal viagem, segundo ele, dois meses. O roteiro traçado seria, em síntese, aquele já demarcado e conhecido como Caminho Velho: seguiam de São Paulo à aldeia de Itaquaquecetuba; daí até Mogi das Cruzes; em seguida, passavam por Laranjeiras até Jacareí e daí até a vila de Taubaté. Passando por Pindamonhangaba, Guaratinguetá até o porto de Guaipacaré (atual Lorena), sempre seguindo o curso do rio Paraíba do Sul. Avançavam e já no pé da Mantiqueira seguiam um ribeirão chamado Passa Vinte.

Posteriormente, transpunham outro ribeirão, chamado Passa Trinta (parte do rio Passa Quatro), e dali se chegava aos Pinheirinhos, aonde, segundo o jesuíta, havia “roças de milho, abóboras e feijão, que são as lavouras feitas pelos descobridores das minas e por outros, que por aí querem voltar”.

Segundo ainda o famoso jesuíta, a passagem pela Mantiqueira era terrível, por causa dos constantes lamaçais na época das chuvas, dos precipícios e das montanhas íngremes, havendo trechos onde os homens tinham que apear e caminhar puxando as mulas, sendo as cargas carregadas nos ombros. Aliás, em 1822, em sua passagem pelo mesmo local, o consagrado naturalista Saint-Hilaire reproduziria as mesmas dificuldades encontradas pelos primeiros entradistas que por ali se internaram no sertão mineiro.

Da região dos Pinheirinhos chegava-se à estalagem do rio Verde em oito dias. Em três ou quatro dias alcançava-se a Boa Vista. De Boa Vista seguiam à estalagem denominada Ubaí, onde também havia roças; daí até o rio Ingaí e seguindo o seu curso iam ao rio Grande e deste ao rio das Mortes.

Também demonstra o festejado jesuíta em sua obra máxima o caminho traçado pelos aventureiros que subiam do Rio de Janeiro e chegavam até Taubaté por Paraty subindo até a vila de Cunha (antiga Facão), depois seguiam os mesmos passos daqueles que vinham de Piratininga, sempre passando pela garganta do Embaú, na Mantiqueira.

O jesuíta faleceu em Salvador, em 13 de março de 1716.


* Historiador e Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais