terça-feira, 5 de outubro de 2010

COLUNA


VIAJANTES ILUSTRES NO SUL DAS MINAS GERAIS

Saint-Hilaire (1822)

Auguste François César Provensal de Saint-Hilaire, naturalista francês nascido em Orleans, em 4 de outubro de 1779, esteve no Brasil por influência do Conde de Luxemburgo, entre os anos de 1816 e 1822. Sem sombra de dúvidas é o mais importante viajante estrangeiro que escreveu sobre as coisas brasileiras, principalmente a sua riqueza natural. Seu nome está indissoluvelmente ligado ao de nossa flora, pois figura na denominação de muitas espécies e gêneros que estudou ao longo de sua estada no Brasil, conforme um exemplo a seguir.


Saint-Hilaire preocupou-se em descrever com extremo cuidado tudo aquilo que presenciou em sua passagem, formando uma das mais significativas coleções com espécies naturais das diversas regiões brasileiras. Retornando de sua segunda viagem a Minas Gerais, vindo de São João Del-Rey, em direção a São Paulo, atravessou Aiuruoca, passando por Pouso Alto, chegando ao Registro da Mantiqueira no dia 14 de março de 1822, não antes de passar num “vale regado por um rio que dá mil voltas e pelo qual passa quatro vezes para chegar aqui, donde lhe vem o nome de Passa Quatro”. À sua frente, descortinava-se a Serra da Mantiqueira que, segundo ele, lembrava os vales suíços. O naturalista deixou anotado em sua obra que na região plantava-se excelente tabaco que servia, inclusive, como moeda de troca na negociação com mercadores do Rio de Janeiro.
Deixando a região, Saint-Hilaire passou por “um desfiladeiro onde de todos os lados veem-se montanhas muito mais elevadas do que as que são preciso subir e descer. Não cessam as matas virgens, mas avistam-se cumes cobertos por vegetação simples, carrascais e mesmo pastos”.

Indicou que uma cruz assinalava o limite entre as Capitanias de Minas e de São Paulo, local onde hoje está o marco em homenagem à Revolução Constitucionalista de 1932. Registrou, ainda, que na subida o caminho é bastante bonito, mas na descida “torna-se medonho”.


Quase sempre é de extrema aspereza; “caminho estreito e profundo, coberto de pedras arredondadas que rolam sob os pés dos muares. Ossos esparsos de vários destes animais provam que apesar da sua extrema firmeza perecem muitos nesta montanha. Algumas vezes as pobres alimárias são obrigadas a saltos bastante altos. Muito frequentemente, afundam-se em lama espessa sob a qual encontram ainda pedregulhos arredondados; várias vezes é preciso que atravessem buracos onde correm o risco de escorregar e cair”.





Saint-Hilaire faleceu em sua cidade natal em 3 de setembro de 1853.


* Historiador e Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais