AS TERRAS ALTAS DA MANTIQUEIRA – III
(ITANHANDU)
De acordo com os mais abalizados lexicógrafos, Itanhandu designava a ema de pedra. Esse teria sido o nome dado pelos indígenas ao local onde o rio Verde, que nasce a aproximadamente 20 km da cidade, na serra da Mantiqueira, arrasta grandes quantidades de pedras que correm ao longo do leito.
O Dr. Heitor Antunes de Souza, em sua obra “Esboço histórico dos municípios de Itanhandu e Itamonte”, estudando a origem da palavra, informa que consultou diversos amigos etnólogos, tanto da Universidade de São Paulo, quanto do Museu Nacional do Rio de Janeiro, chegando à conclusão que a mesma se referia à pedra da ema, ave esta constando, inclusive, no brasão da cidade.
No princípio do século XVIII, com remanescentes de bandeirantes que por ali passaram e formaram roças para sua alimentação e dos que vieram depois deles, um pequeno aglomerado de casas, circundado por pequenas fazendas, deu origem ao arraial de Barra do Rio Verde. A antiga capela de Nossa Senhora da Conceição surgiria em função das doações feitas por Joaquim de Almeida Campos e Silva, membro de uma das primeiras famílias da região, e a imagem da santa que se encontra na atual matriz (1927) é a original doada por aquele benfeitor.
Tendo ali chegado os trilhos da Rede Mineira de Viação, a partir de 1882 e concluídos os trabalhos em 1884, com a estação de Capivari, a população começou a crescer. Informa o ilustre Dr. Heitor Antunes de Souza que o ano de 1889 é “o ponto de partida do nascente povoado do Rio Verde, é a existência que começa, em sentido associativo, caracterizando a estabilidade da gente de fora, mantendo suas relações de equilíbrio com o ambiente novo, levantando a primeira capelinha de quinze metros quadrados, provendo-se da primeira escola particular”.
O povoado “assentava-se à margem direita do rio Passa Quatro e à esquerda do rio Verde, os quais formam a confluência denominada barra do rio Verde, cerca de 200 metros abaixo, em direção do Norte”. Segundo dados constantes do Arquivo Público Mineiro, aparece pela primeira vez o nome “Itanhandu” referindo-se às divisas do rio Verde com o ribeirão do Itanhandu, em terras da freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Pouso Alto.
“Em 1904 chamou-se Ita-nhandu.
E a escolha desse nome se deveu
ao Ribeirão Itanhandu.
Ita era a pedra, onde se firma o lar,
e Nhandu a ema que, talvez, se viu.
E lá está em nossa bandeira
azul, branca e vermelha,
aquela pedra, um marco em cada face
e essa ema, que desafia o tempo”.
(Dilza Pinho Nilo)
Distrito de Pouso Alto por força da Lei nº 556, de 30 de agosto de 1911. Na ocasião, Pouso Alto compreendia os distritos da sede, de São José do Picu, de Alagoa e de Itanhandu. Município e vila por Lei nº 843, de 7 de novembro de 1923, compreendia os distritos de Itamonte e de Alagoa, perdidos em 1938. Anteriormente, conforme já anotado, teve os nomes de Barra do Rio Verde e Estação do Capivari.
Sua principal atividade é a agropecuária, produzindo, também, bauxita, produtos químicos e farmacêuticos. O município possui, para orgulho de seus habitantes, um dos índices mais baixos de analfabetismo de todo o Brasil.
* Historiador. Sócio correspondente do Instituto Histórico de Minas Gerais
