terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

COLUNA

Ruas de Caxambu

João Pessoa

A rua João Pessoa está localizada no centro da cidade e presta homenagem a João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, nascido na cidade de Umbuzeiro, na Paraíba, no dia 24 de janeiro de 1878, filho de Cândido Clementino Cavalcanti de Albuquerque e de Maria Pessoa Cavalcanti de Albuquerque. Era sobrinho do ex-presidente da República Epitácio Pessoa. Casado com Maria Luisa de Sousa Leão Gonçalves, com quem teve um filho: Epitácio Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, senador em 1950-1951.
Estudou primeiramente em sua cidade natal, continuando os estudos secundários na cidade de Guarabira e, em 1890, seguiria para o Rio de Janeiro, acompanhando o tio Epitácio Pessoa, que residia na fortaleza de Santa Cruz, onde prestava serviço militar.
Retornando ao nordeste, adoentado e após cumprir um período no exército brasileiro, matriculou-se na Faculdade de Direito do Recife, onde se graduou no ano de 1903.
Retornando ao Rio de Janeiro em 1909, tornou-se notório no campo jurídico, fato que o levou a diversas funções, assim como auditor do Ministério da Fazenda, do Ministério da Marinha, colhendo, ao final, um cargo de ministro do Supremo Tribunal Militar (hoje Superior Tribunal Militar).

Dadas as injunções políticas da época e o apoio de seu tio, candidatou-se ao cargo de presidente do estado da Paraíba, para o qual foi eleito e tomou posse em outubro de 1928. Promoveu uma reforma na estrutura político-administrativa do estado e, para enfrentar as dificuldades financeiras, instituiu a tributação sobre o comércio realizado entre o interior paraibano e o porto do Recife, até então livre de impostos. Essa medida contribuiu para o saneamento financeiro da Paraíba e deu oportunidade para a construção do porto de Cabedelo; por outro lado, despertou o descontentamento dos chamados “coronéis” do interior pernambucano. Outro fato significativo na vida política de João Pessoa: com a cisão entre Minas Gerais e São Paulo, colocou-se ao lado da aliança formada por Minas Gerais e Rio Grande do Sul, com a indicação de Getúlio Vargas à presidência da república, em confronto com a indicação de Júlio Prestes por parte dos paulistas e do então presidente Washington Luis. O lançamento da campanha da Aliança Liberal (RS-MG-PB) ocorreu no Rio de Janeiro em 30 de dezembro de 1929, com a chapa Getúlio Vargas, presidente, e João Pessoa, vice-presidente. Retornando ao seu estado natal, passando por Juiz de Fora, Belo Horizonte e, posteriormente, Salvador e Recife, João Pessoa enfrentaria forte resistência política, culminando com a Revolta de Princesa, no interior do estado, obrigando, inclusive, a uma intervenção militar do governo republicano.
Por conta dessa questão, aliada ao acirramento das discussões políticas, João Pessoa foi assassinado, no dia 26 de julho de 1930, no centro do Recife, na Confeitaria Glória, por João Dantas, adversário político e jornalista, cuja residência, segundo ele, fora invadida por agentes de João Pessoa, que culminou com a publicação no jornal oficial da capital do estado – A União - de cartas amorosas trocadas com a professora e poetisa Anayde Beiriz.
Em decorrência de grande pressão popular, o nome da capital da Paraíba – até então denominada Parahyba - foi mudado para João Pessoa e sua bandeira passou a ostentar a inscrição “Nego” alusão à não adesão da Paraíba à candidatura de Júlio Prestes. Apesar dessa negação em apoiar a chapa oficial à presidência da república, na carta dirigida por João Pessoa ao líder da maioria na Câmara não aparece a palavra “nego”, que para o historiador José Américo de Almeida foi muito mais “uma questão de atitude”. João Pessoa foi sepultado na cidade do Rio de Janeiro em 7 de agosto de 1930.
A sua morte foi, sem dúvida, aliada a fatores mediatos, um estopim para o desencadeamento da Revolução de outubro de 1930.

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* Historiador