domingo, 8 de abril de 2012

COLUNA



Ilustração: Imagem / Google


Imagino a dificuldade, pra todos nós e mesmo aqueles que são da área, em calcular os custos da corrupção, seus números, desvios, valores, desmentidos. Mais difícil ainda, penso eu, seria calcular o que poderia ser feito se a honestidade fosse regra.

Tudo começou, a porta da bandalheira tenha talvez sido aberta pela célebre afirmação do “rouba, mas faz”, daí para o “rouba, deixando de fazer, e a tudo sem ninguém saber ou ver”, foi um passo.

Salvo raríssimas, cada vez mais “íssimas” exceções, em todas as esferas, todas as camadas, todos os lados, cantos, sistemas, uma rede intrincada de maracutaias, espertezas e negociatas sem fim. Uma praga com proliferação farta, procriação descontrolada e fértil.

Enterraram a ética, a decência, a moralidade e jocosamente lidam com as esperanças e a crença de todo um povo.

Muitos são os casos, muitas são as vezes em que já não lidamos mais com mocinhos e bandidos, mas sim com bandidos e bandidos, travestidos ou não.

Diante de nossa incompetência, omissão e inércia, nos tomaram até mesmo o grito, o discurso, a retórica, e muitos dos que gritam já não mais nos representam, viraram o jogo, mudaram de lado, mudaram até mesmo o lado, venderam a alma, entregaram os ideais.

Como advogado, criminalista e acima de tudo, como cidadão, rogo pela tipificação da corrupção como crime hediondo ou assemelhado, com todas as consequências e desdobramentos, de forma serena e limpa, revestida de efetividade e concretude.

Encerrando, por hoje, com uma frase de Sérgio Porto, o imortal Stanislaw Ponte Preta, “No Brasil as coisas acontecem, mas depois, com um simples desmentido, deixam de acontecer”. Me cabe ainda emendar: Até quando?



Nota da Redação do NOTICIARAMA: Seja bem vindo (de volta) Carlinhos Ferreira! É uma honra voltar a contar com sua coluna semanalmente por aqui.