segunda-feira, 23 de abril de 2012

COLUNA



Iniciamos com esta coluna a difusão dos eventos do nosso Museu de Caxambu e, também, a divulgação de atividades significativas nos mais diversos museus e casas de cultura do Brasil, além das tendências museológicas e museográficas mais modernas. Neste artigo, chamamos a atenção para uma uma interessante exposição que acontece na Academia Brasileira de Letras intitulada

O Barão do Rio Branco, colecionador de ex-libris

Inaugurada nesse último dia 19 de abril, na sede da Academia Brasileira de Letras (ABL), a exposição Barão do Rio Branco, colecionador de ex-libris, como parte das celebrações pelo centenário de morte do acadêmico José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, completado em fevereiro deste ano. De acordo com os responsáveis pela montagem, desde 1977 não se faz uma exposição de ex-libris no Rio de Janeiro. A mostra ficará aberta ao público de segunda a sexta feira, das 9 às 18 horas, na Avenida Presidente Wilson nº 203. A exposição contará com 93 exemplares da Coleção do Barão do Rio Branco, hoje pertencente ao Palácio Itamaraty, além das que pertencem à coleção da Academia Brasileira de Letras. A entrada é franca.
Segundo ocupante da cadeira nº 34 da Academia Brasileira de Letras – hoje ocupada pelo Acadêmico João Ubaldo Ribeiro – José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, foi eleito para a ABL em 1º de outubro de 1898. Nasceu no Rio de Janeiro no dia 20 de abril de 1845. Autor  de vasta obra, dentre elas, Efemérides brasileiras, História militar do Brasil e Episódios da Guerra do Prata. Foi diplomata, advogado, geógrafo e historiador. Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Recife. Ministro das Relações Exteriores durante os mandatos de Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca. Atuou ativamente nas questões de fronteiras, sendo a mais destacada a questão com a Bolívia, que redundou na compra do território do Acre, em 1903, pelo Tratado de Petrópolis. Faleceu no Rio de Janeiro em 10 de fevereiro de 1912.
Segundo a acadêmica Ana Maria Machado, atual presidente da Academia Brasileira de Letras, o Barão do Rio Branco paradoxalmente se distinguiu na consolidação da República: “Principalmente no estabelecimento das linhas mestras da política externa do país. Seu falecimento, há um século, consternou o país a tal ponto que provocou um fato inédito: o adiamento do carnaval naquele ano. Ao comemorar agora o centenário dessa data, homenageamos a sabedoria de Rio Branco e seu equilíbrio. A Academia Brasileira de Letras, ao se associar aos festejos deste ano, deseja sublinhar outro aspecto do ilustre brasileiro: seu amor aos livros, que nutriam seu preparo intelectual e sua firmeza de convicções. Com esta mostra, evocamos um Barão menos conhecido, o Rio Branco bibliófilo e colecionador de ex-libris. A exposição nos traz, assim, uma faceta menos conhecida do Barão, mas profundamente coerente com a imagem que a História guarda dele. Ao mesmo tempo, compartilha com todos estas pequenas amostras gráficas dos requintes estéticos de uma época, patrimônio de todos nós”.
Criado de início com o nome de ex biblioteca e ex dono, esse tipo de coleção passou a ser chamado universalmente pela denominação latina ex-libris, que quer dizer dos livros. Seu uso se destina, em geral, às bibliotecas, servindo, também, de insígnia àqueles que possuem livros. Desta forma, o ex-libris colocado na parte interna da capa do livro deve ser sempre um objeto de arte, de caráter pessoal, idealizado por seu possuidor. Pode-se, por intermédio do ex-libris, conhecer as tendências de uma pessoa. Muitos apresentam legendas geralmente em latim que expressam a divisa do ideal de seus titulares.
Para se ter uma ideia do que seja um ex-libris, o da biblioteca do autor desta coluna é o que vai aqui reproduzido, tendo ao centro uma coruja e uma pena encimando um livro, ladeados pelas inscrições “scriptor rerum” (historiador) e “magisterium” (professor).

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* Museólogo – registro Corem-RJ 071/I