Ruas de Caxambu
Praça Quintino Bocaiúva
Praça Quintino Bocaiúva
Localizada no centro da cidade, a praça Quintino Bocaiúva presta homenagem a um dos principais idealizadores do movimento republicano no Brasil. Quintino Antônio Ferreira de Souza nasceu em 4 de dezembro de 1836, na cidade de Itaguaí, na então Província do Rio de Janeiro, filho de Quintino Ferreira de Souza e de Maria Candelária de Souza, esta natural de Buenos Aires. Começou a trabalhar como tipógrafo e em 1850 a família mudou-se para São Paulo, ali ficando até o ano de 1854, onde tentou estudar Direito, porém, dados os poucos recursos, não conseguiu concluir o curso.
Retornando ao Rio de Janeiro, fez carreira jornalística adotando o pseudônimo de “Bocaiúva” (uma espécie de palmeira nativa do Brasil), simbolizando o seu acendrado nacionalismo e defensor ardoroso das ideias republicanas. Trabalhou no jornal Diário do Rio de Janeiro (1854) e Correio Mercantil (1860-1864); foi o redator do Manifesto Republicano, que veio a público em 3 de dezembro de 1870, na primeira edição de A República, e em cujas páginas escreveu até o encerramento, em 1874, quando fundou o jornal O Globo (1874-1883). Em 1884 fundou O Paiz, jornal que exerceu grande influência na campanha republicana.
Ainda que republicano convicto, era contrário aos ideais positivistas que nortearam a campanha de mudança de regime no Brasil, mas, assim mesmo, foi o único civil que ladeou Benjamin Constant e Deodoro da Fonseca na marcha contra a monarquia, em 15 de novembro de 1889.
Após a Proclamação da República, Quintino Bocaiúva participou do primeiro governo provisório na qualidade de ministro das Relações Exteriores. Nesse cargo, negociou e assinou o Tratado de Montevidéu (25 de janeiro de 1890) visando solucionar a Questão de Palmas, entre o Brasil e a Argentina. Acusado de extrapolar quanto à concessão territorial para a conclusão das negociações, o Congresso Nacional rejeitaria os termos do Tratado em 1891, razão pela qual Bocaiúva deixou a pasta para continuar como senador pelo Rio de Janeiro na Assembleia Nacional Constituinte. Permaneceu no cargo até à votação da Constituição em 24 de fevereiro, renunciando ao mandato para retornar ao jornalismo, à frente de O Paiz. Por sua atuação na imprensa, foi cognominado, pelos contemporâneos como o "príncipe dos jornalistas brasileiros".
Em 1903 assumiu a presidência do já estado do Rio de Janeiro.
Maçom, de 1901 a 1904 ocupou o Grão-Mestrado do Grande Oriente do Brasil, posto mais elevado na hierarquia daquela instituição.
Em 1909, retornou novamente ao Senado na condição de presidente do Partido Republicano Conservador e dando apoio à candidatura do Marechal Hermes da Fonseca à presidência da República em 1910.
Autor de vasta obra literária, iniciando com artigos em jornais, crônicas, poesias e sua maior especialidade: peças teatrais, assim como O Trovador, Uma partida de honra, A família, Marina e tantas outras. Em prosa é autor, dentre outros, de Estudos críticos e literários; A crise da lavoura e Confederação abolicionista.
Faleceu no dia 11 de junho de 1912, na cidade do Rio de Janeiro, no próprio bairro que hoje tem o seu nome.
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* Historiador

