Ruas de Caxambu
Princesa Isabel
A rua Princesa Isabel, localizada no centro da cidade, é uma homenagem Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Boubon, filha do imperador D. Pedro II e da imperatriz D. Tereza Cristina, nascida na cidade do Rio de Janeiro em 29 de julho de 1846, mais precisamente no Palácio Imperial de São Cristóvão. Tornou-se a sucessora do trono brasileiro após o falecimento de seus dois irmãos, Afonso e Pedro Afonso.
O reconhecimento oficial como sucessora e herdeira do pai teve lugar a 10 de agosto de 1850, quando a Assembleia Geral reunida no Senado proclamou-a herdeira do trono, de acordo com os artigos 116 e 117 da Constituição do Império.
Casada em 15 de outubro de 1864 com Louis Philippe Marie Ferdinand Gaston, o conde D’Eu. O casamento teve lugar na Capela Imperial, no Rio de Janeiro, e em 10 de janeiro de 1865 seguiram para a Europa, onde a princesa conheceria os sogros. O conde D’Eu nasceu em 1842 e morreu em 1922 a bordo do navio Massília, em território brasileiro. Era não só conde d´Eu como príncipe de Bourbon-Orléans, e marechal do exército brasileiro, tendo participado como comandante das tropas da Tríplice Aliança na campanha final da Guerra do Paraguai.
As diversas biografias sobre D. Isabel e seu marido mostram que ambos queriam muito ter um filho, debalde o seu esforço em engravidar com base no tratamento de fármacos receitados pelos mais diversos especialistas da Corte. Foi através do conhecimento do Dr. Luiz da Cunha Feijó, o visconde de Santa Isabel, é que se inclinaram a passar quatro meses nas estâncias hídricas do sul de Minas Gerais, sugerindo aquele ilustre médico que os minerais existentes em determinadas águas poderiam curar vários tipos de doenças, inclusive a forte anemia que consumia a princesa. É verdade que não concebeu imediatamente, mas não restam dúvidas de que alguma coisa se modificou no organismo da princesa, mesmo porque, por sua devoção à Santa Isabel da Hungria, fez criar uma subscrição de fundos necessários para a construção de uma capela em louvor à santa em um promontório do povoado de Caxambu, tendo lançado a pedra fundamental em 22 de novembro de 1868 (quando contava com 22 anos de idade, retratados na foto ao lado), dando mostras de esperar um milagre com relação ao mal que a afligia: a anemia que a tornava infértil.
Finalmente, em 15 de outubro de 1875, quando comemoravam onze anos de casados, nasceu em Petrópolis o príncipe Pedro de Alcântara. Em 26 de janeiro de 1878 nasceu o segundo filho, Luís, no mesmo ano o casal foi residir na França. Em 9 de agosto de 1881 viria o terceiro e último filho, Antônio Gastão, este nascido em território francês.
Por diversas vezes Isabel assumiu a regência do império dadas as viagens de seu pai ao exterior. Em uma delas, foi a responsável pela sanção da lei que libertou os escravos nascidos a partir daquela data – a Lei do Ventre Livre, de 28 de setembro de 1871. Adiante, seria também responsável pela assinatura da mais importante e famosa lei do império: a de nº 3.353, de 13 de maio de 1888, que aboliu definitivamente a escravidão no Brasil. Por esse gesto foi condecorada, em 28 de setembro de 1889, pelo papa Leão XIII, com a Rosa de Ouro, concedida pelo Vaticano àqueles que prestam um feito notável para a humanidade aos olhos da Igreja. Isabel foi a única personalidade brasileira a receber tal distinção.
Logo após a sanção da Lei Áurea, Isabel telegrafaria para o pai, que se encontrava em Milão: “Acabo sancionar a lei da extinção da escravidão. Abraço Papai com toda a efusão do meu coração. Muito contentes com suas melhoras. Comungamos hoje por sua intenção. Isabel".
Proclamada a República no Brasil, a família imperial foi exilada em Paris, onde D. Pedro II morreu em 5 de dezembro de 1891, passando Isabel a ser considerada pelos monarquistas imperatriz de jure do Brasil – com o título de D. Isabel I.
Após o falecimento do pai, Isabel passou a residir no castelo da família em Eu, na Normandia, propriedade de Gastão de Orléans. Ali recebia brasileiros de passagem, ajudando, inclusive Alberto Santos-Dumont no desenvolvimento de suas invenções. Passou os últimos anos da vida com dificuldades de locomoção. Em 1920 teve a notícia da revogação da lei que bania a família imperial do Brasil.
A princesa Isabel faleceu em 14 de novembro de 1921. Foi sepultada no cemitério local, de onde seria trasladada em 6 de julho de 1953 para um jazigo no mausoléu imperial da Catedral de São Pedro de Alcântara, em Petrópolis. A foto mostra D. Isabel em seu último ano de vida.
Com relação à propalada cura da infertilidade com as águas minerais de Caxambu é deveras instigante o tema, considerando-se que o primeiro rebento da princesa somente veio à luz em 1875, sete anos após a princesa hospedar-se em terras caxambuenses. Então, para muitos surgem indagações sem respostas: o tratamento foi continuado? As águas tiveram importância na gravidez da princesa? Entendo que sim, pois a verdade é que a gravidez aconteceu, não imediatamente, mas aconteceu. As águas de Caxambu são realmente extraordinárias, curativas, mas nos parece que o mais importante, com relação a D. Isabel, é o que foi e representou para o Brasil. A imagem de “Redentora” é o que realmente importa e o dia 13 de maio está aí para sempre nos lembrar do seu gesto humanitário.
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* Historiador



