A
religiosidade popular
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Hoje vamos falar um pouco das festas religiosas e populares de nossa cidade.
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E quais são elas, meu amigo?
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Bom, vamos começar com a Festa dos Santos Reis, ou como é popularmente
conhecida, Folia de Reis. Aqui em Caxambu ela começa no mês de dezembro e
avança até o dia 6 de janeiro. Há 42 anos vem sendo realizada pelo senhor
Anézio, com a comunidade do Caxambu Velho. Ali existe a chamada Companhia de
Reis do Caxambu Velho que, além da tradicional adoração do presépio, também distribui
doces à criançada do bairro.
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E como surgiu essa festa, meu caro Bengo?
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Bom, a chamada Folia dos Santos Reis vem desde a Idade Média. Trata-se de um
cortejo de pessoas devotas que, num ato de fé, percorrem casas de um bairro, ou
de uma cidade, cantando, brincando e pedindo esmolas para repetir
simbolicamente a viagem dos Reis Magos ao Oriente até encontrarem o Menino
Jesus, em Belém.
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E aqui eles também fazem isso, pois eu que ando ali pelo Caxambu Velho sou
testemunha da grande festa produzida pelo senhor Anézio e amigos!
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É verdade, meu caro João Pedro. Eles levam também uma bandeira, no caso a
bandeira do Divino, que na realidade é a alma da folia de reis, pois ali estão
também representados os santos reis. O senhor Anézio é o mestre da Folia de
Reis de Caxambu, o que lhe dá uma grande responsabilidade, é quase que um líder
espiritual, além de organizador das andanças e das cantorias.
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Na verdade, meus amigos, aqui em Caxambu se dá muita importância a essa festa,
mas ela já foi vista com muita desconfiança em muitos lugares e há muitos anos,
principalmente pela Igreja que não via com bons olhos a Festa dos Santos Reis,
a Festa do Rosário dos Homens Pretos, o Império do Divino, as Festas Juninas e
as Encomendações das Almas. Hoje em dia essas festas são realizadas com grande
alegria nas comunidades e aqui em Caxambu não é diferente.
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Agora, falaremos da Festa da Padroeira.
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Nossa Senhora dos Remédios, não é, Bengo?
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Isso mesmo, Saré. Na realidade aqui em Caxambu comemoramos a festa da padroeira
no dia 15 de agosto, mas, na realidade, o dia consagrado a Nossa Senhora dos
Remédios é 8 de setembro. Quando foi erguida a primeira capelinha no povoado em
1872, ela foi consagrada a Nossa Senhora dos Remédios pelas curas que as águas
faziam, ainda que muitos digam que o termo “remédios” não
significa medicamentos, mas sim a solução para situações difíceis. O culto é muito
antigo e chegou para nós através de Portugal, onde foi introduzido no século
XIII.
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A nossa matriz foi erguida no local conhecido como Largo do Cruzeiro e teve
como principal incentivador o comerciante José Maria da Costa Guedes. Em 16 de novembro de 1875 o povoado das Águas
Virtuosas de Baependi foi elevado à condição de freguesia e à capela foi
dada a primazia de paróquia. No ano de 1892 foi lançada a pedra fundamental da
igreja matriz, mais precisamente em 9 de outubro, por obra do cônego José
Silvério Nogueira da Luz, conforme já falamos anteriormente. Em 1º de janeiro
de 1906 foi criada a paróquia de Nossa Senhora dos Remédios e reconhecida
canonicamente em 1907, pelo bispo de Pouso Alegre, D. João Batista Corrêa Nery.
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Uma outra manifestação religiosa importantíssima em nossa cidade é o Corpus
Christi.
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E quando acontece, meu amigo?
- Essa é uma data consagrada pela
Igreja na segunda quinta-feira depois do Domingo da Santíssima Trindade.
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Xi! Agora complicou. O que é isso, meu caro Bengo?
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Vou tentar explicar: é uma cerimônia que consagra o Corpo e o Sangue de Cristo,
e acontece 60 dias depois da Páscoa. Teve origem na Idade Média, onde a Igreja
destacava a humanidade de Cristo e o mistério da sua encarnação. A hóstia
representa o Seu corpo imolado.
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E as ruas ficam enfeitadas nesse dia, não, meu caro Bengo?
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É verdade, aqui em Caxambu os devotos fazem um trabalho lindíssimo na avenida
Camilo Soares e na rua Wenceslau Braz, por onde a procissão passa. São
verdadeiros tapetes floridos feitos de serragem, com uma decoração religiosa de
bom gosto. A procissão solene vem sempre com o Santíssimo no ostensório, com a
participação de coroinhas, anjinhos e todas as irmandades. Segue-se uma banda
de música, tocando hinos religiosos até a matriz, onde é celebrada missa solene
em louvor ao Santíssimo Sacramento. É uma solenidade tão significativa e de
grande alcance na sociedade que em Portugal, de onde veio essa tradição, os
vereadores municipais participavam obrigatoriamente das procissões e carregavam
o pálio.
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Outras solenidades religiosas e populares em Caxambu são a festa de Santa Rita,
comemorada com grande alegria no bairro que leva o nome daquela santa, isto em
22 de maio; a festa de Santo Antônio, comemorada no dia 13 de junho, também no
bairro que leva o seu nome, aliás, essa é uma informação interessante: o bairro
nasceu como Vila dos Pobres de Santo Antônio de Caxambu, em 13 de junho de
1943, na beira da estrada de rodagem que ligava Caxambu a Areias.
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É por ali que eu corro, meu caro Bengo!
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Eu sei disso, João Pedro, e você foi testemunha da criação daquela vila que
depois se transformou em um bairro.
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Todas essas manifestações de religiosidade, quer sejam oficiais ou não, mostram
a vida e a experiência religiosa de nosso povo, mantendo tradições orais
católicas vindas da Idade Média, através de Portugal. O que a gente vê nessas
manifestações é que a vida e a religião não se separam, mas devemos atentar
também para outras festas religiosas que vieram para o Brasil através dos
negros africanos e outras que foram passadas por nossos indígenas, mas que,
infelizmente, ainda não damos a importância que elas merecem na formação da
nossa cultura e da nossa religiosidade.

