sexta-feira, 8 de outubro de 2010

COLUNA



Impossível não falar de política. Sei que a coluna é de cultura, mas, depois de um primeiro turno como esse, não tem como não falar nem um pouquinho sobre nossa política esdrúxula. Pra dizer o mínimo. Eleger um palhaço para deputado federal com mais de 1 milhão de votos? Agora sim, podemos dizer, literalmente, que nosso país é uma comédia! Tá elegendo até palhaço! Acredito que os paulistanos levaram a sério demais essa história de pão e circo. Aí, me falaram que era voto de protesto. Só não consigo entender onde está o protesto em se votar no Tiririca. Qual era a finalidade, afinal? A Justiça Eleitoral obriga que aqueles que não votaram, se justifiquem. Na verdade, quem deveria se justificar são os eleitores do Tiririca, das Mulheres –fruta, esses sim, precisam achar uma justificativa muito boa para tal voto. E olha, que vai ser difícil encontrar uma desculpa plausível.




Bom, e como o assunto é palhaço, circo e tal e coisa, hoje trago até vocês mais uma banda do cenário independente brasileiro, e que tem tudo a ver com as artes circenses: Cia Musical O Teatro Mágico. A trupe, como se intitulam, foi criada em 2003, por Fernando Anitelli, ator, músico e compositor. De acordo com o site oficial da banda (http://oteatromagico.mus.br), o primeiro CD, “O Teatro Mágico: Entrada para Raros” foi inspirado no best-seller do escritor do escritor alemão Herman Hesse, “O Lobo da Estepe”. Anitelli conta que ao ler o livro, entendeu que era aquilo o que gostaria de fazer: um espetáculo completo, que juntasse tudo numa coisa só, desde malabaristas, atores, cantores, poetas, palhaços, bailarinas e tudo que coubesse no palco. Ainda de acordo com Anitelli, “O Teatro Mágico é um lugar onde tudo é possível!”



As letras das músicas possuem um lirismo incomum, que aliados à melodia e à performance dos integrantes da trupe, transformam o show em um verdadeiro sarau, em que tudo é permitido: performances artísticas, arte circense, declamações de poemas. Mas, talvez o mais interessante do TM seja a relação da banda com o público. Em seus shows, a platéia é mais que meros espectadores. Toda a apresentação gira em torno dos presentes. A relação entre banda e público vai se transformando ao longo do show e no fim, palco e platéia se fundem, num belo exemplo do que a própria música prega: tem horas que a gente se pergunta, porque é que não se junta tudo numa coisa só? Afinal, o que seriam daqueles que vivem de música, sem aqueles que consomem a música produzida?



Anitelli também é um dos apoiadores do projeto MPB: Música Para Baixar. Toda a divulgação do TM é feita através e pela internet. Para eles, democratizar o acesso à música é muito mais que simplesmente disponibilizar músicas e álbuns para que qualquer um possa baixar da grande rede. Democratizar a música é possibilitar a interação entre banda e público, como acontece com a trupe. Nos meios teatrais existe uma expressão: a quarta parede. Ela seria a representação imaginária de uma espécie de bloqueio entre o palco e a platéia. Dessa forma, apesar da proximidade entre atores e audiência, o público assiste passivo à ação daquele universo encenado. O que Anitelli pretende com o projeto é exatamente a desconstrução dessa quarta parede e maior interação com o público.

Mas o melhor vem agora: no próximo dia 12, feriado nacional, adivinha quem vai tocar, de “graça na praça”, em Alfenas? Sim, sim, caros leitores, a Cia Musical O Teatro Mágico! O show faz parte de uma série de apresentações em comemoração aos 141 anos de Alfenas. Para outras informações, acessem http://www.alfenasagora.com.br/noticias.asp?act=noticias&act2=ver&id=1296.  

Bom, por hoje é isso. Prometo muitas fotos do show na próxima coluna. Espero que vocês gostem. Bom feriado pra todos vocês, regado com muita música e bom astral, porque no fim, só precisamos disso. E, claro, de alguém pra compartilhar toda essa energia positiva! Espero que vocês encontrem alguém assim. Eu já encontrei. Só falta a pessoa se tocar disso....

Vem ni mim, sexta-feira!

Paola Tavares