terça-feira, 28 de dezembro de 2010

ENTREVISTA ESPECIAL

Em reportagem ESPECIAL o NOTICIARAMA conversou com o advogado Carlos Rafael Ferreira. Confira!

Como o sr. vê a atuação do advogado em nossa sociedade, ainda mais em momentos como os de agora, quando crimes hediondos deixam a população alarmada?

Crimes hoje tipificados como hediondos ou assemelhados, isto é, que recebem o mesmo tratamento legal, e outros tão graves quanto, também eram cometidos em um passado não muito distante da história, nos porões, no submundo da convivência humana. Por sua vez, o Direito é um meio de pacificação social, é um instrumento de busca e distribuição da Justiça. Assim sendo, o Advogado desempenha um papel crucial neste contexto, tratado pela Constituição da República como essencial. O Advogado é meio de se atingir, de se buscar a Justiça - sem Advogado não se faz Justiça. Os crimes que chocam a população são fruto em sua maioria de uma má distruição de renda, da corrupção e seus tentáculos que acabam por jogar o cidadão na vala da falta de oportunidade, do descaso, do menosprezo, da exclusão financeira, psico social, emocional.

Qual balanço o sr. faz da atuação da OAB, entidade de classe que reúne os advogados do país? Afinal é uma entidade atuante, que tem participado ativamente de movimentos importantes como o da Ficha Limpa entre outros.

A Ordem dos Advogados do Brasil, maior instituição civil do Brasil, representa o grande arcabouço moral, ético e participativo deste país. Em Brasília, no Conselho Federal temos uma foto de Advogados e Advogadas – de braços dados – caminhando até o Congresso, é uma cena emocionante, marcante, única, representativa e que escancara esta participação ativa, este papel da Ordem de protagonista dos acontecimentos. http://carlosrafaelferreira.blogspot.com/2010/03/advogados-e-advogadas.html .

O que levou o sr. a escolher a advocacia? Vontade de fazer justiça?

Tenho me convencido que foi a advocacia que me escolheu e não o contrário. Concluí a faculdade de Direito, em 2000, portanto, lá se vão mais de 10 anos, mas me tornei Advogado – sem dúvida alguma – pelas mãos de Nhá Chica (http://carlosrafaelferreira.blogspot.com/2009/12/nha-chica.html). Estudando, estagiando, advogando tive a felicidade de encontrar verdadeiros e grandes amigos, com quem aprendi demais e nutro enorme gratidão. E estes encontros e reencontros devo a advocacia, ao Direito como um todo.

Existe Justiça no Brasil?


A Justiça, em termos mundanos, terrenos, é resultado da atuação humana, que consequentemente irá espelhar os valores dos Homens que estão por trás desta decisão final – vale dizer, justa muitas vezes, e injusta em outros casos. Cabe mais uma vez ressaltar o papel do Advogado nesta busca, neste caminho a ser trilhado por Justiça, ao encontro da verdade real.

Voltando à OAB, como o sr. vê a formação do advogado hoje e a prova da entidade que permite um filtro após a formatura?
 
Como editor responsável por um blog voltado ao Exame de Ordem, co autor de um livro sobre o mesmo tema http://carlosrafaelferreira.blogspot.com/2010/12/como-estudar-e-passar-no-exame-de-ordem.html
seria popular que me posicionasse contra o Exame, como chegam alguns a montar seus discursos, mas seria falso e gratuito. O Exame de Ordem, entendem muitos, é importante, necessário e sem dúvida deve ser mantido. Agora, outra coisa é discutir seus contornos, como por exemplo a possibilidade do candidato aprovado na primeira fase e reprovado na segunda ter um lapso de tempo para fazer apenas a segunda fase; a liberação da consulta nas provas práticas etc. E aqui cabe ressaltar a luta primeira da Ordem em Minas Gerais, que não esmorece na proteção dos candidatos.
 
 
 
Os cursos superiores hoje de formação do advogado são suficientes?


Nenhum curso – por si apenas – é suficiente para a formação de qualquer profissional. O comprometimento, o esforço, o estudo, a vontade, o talento, argamassados à formação ofertada pela instituição – seja Y ou Z – serão cruciais para a colocação profissional do aluno.

O sr. é também delegado de prerrogativas da OAB. Fala pra gente desta atuação.


Por iniciativa do Presidente Luis Cláudio a OAB/MG criou o cargo de Delegado de Prerrogativas, para atuação na linha de defesa das prerrogativas profissionais do Advogado. http://carlosrafaelferreira.blogspot.com/2010/12/prerrogativas-do-advogado_19.html
Incumbe ao Delegado de Prerrogativas fazer valer estas garantias constitucionais, permitindo uma atuação plena do Advogado, do Estagiário de Direito, observada a ética profissional e o bom senso, que deve nortear a conduta de todos. Garantir o respeito às prerrogativas, nas palavras do Dr. Alberto Zacharias Toron, é em melhor análise garantir o exercício desassombrado do Advogado, é assegurar o direito e a defesa do cidadão, é dar concretude à busca por Justiça, maior justificação do Direito.


Fotos: Rafaela P. R. Ferreira