terça-feira, 27 de março de 2012

COLUNA


Ruas de Caxambu
Praxedes da Costa


A rua Praxedes da Costa, localizada no bairro Santa Cruz, é uma homenagem a um dos agentes executivos de Caxambu, cargo que  equivalia ao de prefeito municipal. O agente executivo, segundo as determinações do § 4º, do art. 90, da Lei nº 2/1891, era o presidente do conselho distrital (ou municipal), com funções de administrar os bens adquiridos pelo município, além de exercer e fazer cumprir as deliberações do conselho municipal; dar regulamento aos cemitérios e outros serviços de interesse público.
Até a emancipação da cidade, Caxambu era administrada por um Conselho Distrital, sob a tutela da Câmara de Baependi. Esse conselho era composto de 3 cidadãos e tinha a responsabilidade direta na administração da então freguesia. Em 1895 o Conselho passou a ter como presidente o jornalista e professor Praxedes da Costa que, segundo seus contemporâneos, tinha um espírito de líder nato, abolicionista de primeira hora e incansável admirador da República. Ficaria no cargo até o ano de 1898.



Praxedes da Costa, além de Agente Executivo, mantinha o jornal o “Correio do Povo”, importante veículo de comunicação na época e que servia para a informação dos habitantes da freguesia. São desse tempo a criação do primeiro colégio no bairro dos Vicentes, para onde foi destacado o professor Ernesto Wadakin, em 16 de novembro de 1896; também se deu especial atenção ao calçamento e à iluminação das ruas, procurando dotar a zona urbana de condições mínimas de higiene, água potável e esgoto. Em uma de suas proposições à Câmara de Baependi, informava que os melhoramentos pretendidos para Caxambu “salientam-se entre todos que a população reclama; deles depende a saúde pública, depende o saneamento da povoação de Caxambu, sede do mais rendoso distrito do município” e, adiante, reforçava: “Há longos anos tenho dedicado todos os meus esforços à propaganda dos benefícios que Caxambu reclama, sem aspirar outras vantagens senão as que resultarem para o bem do povo, como o tem feito, como eu, outros mais competentes, obedecendo igualmente, como eu, o cumprimento do dever”.
Praxedes era um obstinado na causa da emancipação política de Caxambu e, em um dos seus relatórios do ano de 1896, assinalava com veemência que “os distritos organizados como estão, não podem continuar acorrentados à tutela de um poder central, precisam impor-se pela independência, governar-se livremente, ocupando perante o município a mesma posição que este ocupa perante o Estado”. Juntamente com o conselheiro Mayrink e outros cidadãos, no dia 2 de abril de 1901 redigiu uma representação popular dirigida ao Congresso Legislativo do Estado de Minas Gerais, pleiteando a autonomia administrativa e a criação da Vila de Caxambu.
De seu conselho – 1895 a 1898 - participaram outros importantes cidadãos: Francisco Rodrigues Gouveia, Pedro Meirelles de Barros e Martinho Cândido Vieira Lício. Além destes, apareciam os nomes de Venâncio da Rocha Figueiredo, como engenheiro distrital; José Ricardo Barbosa, como fiscal de Caxambu e Manoel Fernandes Moreira, como fiscal de Soledade.

Após a emancipação garantida pelo ato de 16 de setembro de 1901, passou-se à eleição da primeira Câmara de Vereadores do município, o que aconteceu em 2 de dezembro, tendo Praxedes da Costa como seu primeiro presidente e com ele funcionaram os seguintes vereadores: José Paschoal Ribeiro, Alexandre Francisco Pinto, José Penha de Andrade, José Maria Brochado, José Maria da Costa Guedes, Domingos Francisco Pinto, Domiciano Nogueira de Noronha Sá, Henrique de Almeida Leite Guimarães (representando o distrito de Soledade). Com o falecimento de José Penha de Andrade, assumiu o seu mandato o vereador Antonio Campos Martins.
É dessa época (1896) o episódio conhecido como “água do Jacaré”, onde foram destinados à administração distrital oitenta contos de réis por parte de um senhor mexicano de nome Ezequiel Ximenes que divertia a população com um similar do “jogo do bicho”.   
Efetivamente instalado o município de Caxambu no dia 2 de janeiro de 1902, Praxedes da Costa, então presidente da Câmara de Vereadores, era nomeado Agente Executivo, em cujo cargo ficaria até o ano de 1904.
Licenciado em 15 de setembro de 1903, por motivo de saúde, seria substituído no cargo por Alexandre Francisco Pinto.
Adiante, a nova organização municipal, por força da lei estadual de 13 de agosto de 1903, imprimiu uma nova modalidade para as cidades consideradas estâncias hidrominerais e, por esse mesmo motivo, Caxambu teria criada sua prefeitura municipal em 16 de junho de 1905, sendo administrada diretamente pelo Estado, com a interveniência de um prefeito nomeado pelo governo mineiro, recaindo no Dr. Américo de Macedo a nobre função.

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* Historiador