terça-feira, 1 de maio de 2012

COLUNA

Ruas de Caxambu

Silvestre Ferraz

A rua Silvestre Ferraz, localizada no bairro de Santa Cruz, e nomeada por lei do Conselho Distrital de Caxambu em 11 de junho de 1894, é uma homenagem ao Dr. Silvestre Dias Ferraz Junior, nascido na cidade de Cristina, em 14 de abril de 1851, filho do coronel Silvestre Dias Ferraz e de Anna Leonízia Dias de Castro, esta natural de Baependi, com matrimônio naquela paróquia em 24 de outubro de 1843.

Iniciou seus estudos na própria cidade de Cristina e, aos onze anos de idade, a família transferiu-se para São João Del-Rey aonde concluiu seus estudos secundários. Posteriormente, seguiu para o Rio de Janeiro e, em 1867, matriculou-se na Escola de Medicina do Rio de Janeiro, colando grau no ano de 1873.

Foi eleito deputado provincial, pela primeira vez, em 1876 e por sete biênios sucessivos esteve representando o povo na Assembleia de Minas Gerais, sob a égide do Partido Liberal.

Algumas significativas contribuições no exercício do múnus público foram a reorganização da Escola de Farmácia de Ouro Preto; autor da lei que autorizou a entrada de 25.000 imigrantes no sul das Minas Gerais, para o trabalho na lavoura do café; e também autor das leis de 1883 e 1886 que cuidavam da implantação da Estrada de Ferro Sapucaí. Essa ferrovia foi de vital importância para o crescimento da economia do sul de Minas Gerais, pois melhorou o meio de transporte, facilitando o escoamento da produção agropecuária da região.

Em 1883, discutia-se na Assembleia provincial sobre a construção de uma estrada que partiria de Soledade de Minas, passaria atrás da Serra de Cristina, indo à Pedra Branca (atual Pedralva). O Dr. Silvestre Ferraz, representante do sul de Minas Gerais nessa Assembleia, pugnou para que a estrada fizesse outro rumo, isto é, passar por Carmo de Minas do Rio Verde, Cristina e Itajubá. Seu projeto, posto em discussão, foi aprovado.

As obras da Estrada de Ferro Sapucaí começaram no dia 23 de fevereiro de 1889: no final do ano de 1890 foi inaugurado o primeiro trecho, entre Soledade e Carmo de Minas; em 15 de março de 1891 foram inauguradas as Estações de Cristina e de Caxambu.

Segundo as Leis nºs 3.384, de 29 de agosto de 1887 e 3.419, de 15 de julho de 1889, a Estrada de Ferro Sapucaí tinha por fim “a construção, uso e gozo da ferrovia que, partindo do ponto mais conveniente da ferrovia “Minas & Rio Railway”, terminasse nos limites da província de Minas Gerais com a de São Paulo, no município de Ouro Fino”, nos precisos termos do contrato assinado pelos engenheiros Carlos Euler Júnior e Raimundo de Castro Maia com o presidente da província de Minas Gerais em 12 de outubro de 1887.

Quando a estrada de ferro alcançou Soledade, os deputados Silvestre Dias Ferraz Júnior, Cristiano Correia Ribeiro da Luz e padre Antônio Ribeiro da Luz, unindo-se, conseguiram a mudança do itinerário original, visando a passagem daquela estrada por Cristina, para benefício, também, da então Carmo do Rio Verde. A estação ferroviária de Carmo do Rio Verde foi inaugurada em 15 de março de 1890, em terreno doado por Manoel Dias Ferraz e a diretoria da estrada de Ferro deu-lhe o nome de Silvestre Ferraz; aliás, a Lei estadual nº 319, de 16 de setembro de 1901 criaria o município de Silvestre Ferraz, vindo, somente em 12 de dezembro de 1953, através da Lei nº 1.039, ser mudada a denominação para Carmo de Minas.

O Dr. Silvestre Ferraz faleceu na cidade de Ouro Preto em 1º de fevereiro de 1889 e seus restos mortais foram trasladados de trem para Cristina, em 1908, por iniciativa de seu irmão, Dr. Fausto Dias Ferraz, construindo-se uma cripta e um busto em bronze (foto) para acolher os restos mortais do Dr. Silvestre Ferraz, prestando-lhe, assim, uma homenagem dadas as grandes realizações em favor do sul de Minas Gerais, em especial, pela passagem da Estrada de Ferro Sapucaí por Cristina.

__________

* Historiador